O Índice de Confiança da Construção (ICST), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou alta em junho, impulsionado principalmente pela melhora das expectativas para os próximos meses. O otimismo do setor contrasta com a leve retração na avaliação da situação atual e na utilização da capacidade produtiva, que recuaram no período.

O Índice de Confiança da Construção (ICST) registrou alta de 0,7 ponto em junho, atingindo 94 pontos, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (25) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Embora o avanço no mês sinalize uma melhora pontual no sentimento do setor, a média móvel trimestral do indicador recuou 0,4 ponto — configurando a sexta queda consecutiva e evidenciando um ambiente ainda marcado pela cautela.
Para Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção no Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV IBRE), o leve crescimento observado em junho está diretamente relacionado às expectativas geradas pela criação de uma nova faixa do programa Minha Casa Minha Vida, que tem estimulado a demanda no segmento de habitação popular.
Situação atual ainda impõe desafios
Apesar da melhora nas expectativas, o ambiente de negócios continua desafiador. O Índice da Situação Atual (ISA) apresentou retração de 0,2 ponto, fechando o mês em 92 pontos. Esse resultado reflete uma avaliação mais pessimista por parte das empresas em relação ao momento presente, especialmente no que diz respeito ao ritmo de atividade e à percepção de demanda efetiva.
Expectativas para os próximos meses ganham fôlego
Em contrapartida, o Índice de Expectativas (IE) avançou 1,7 ponto, atingindo 96,3 — maior nível desde dezembro de 2024. A alta reflete um otimismo crescente com relação aos próximos meses, ancorado principalmente em programas habitacionais e na perspectiva de maior estabilidade no cenário econômico.
Utilização da capacidade produtiva recua levemente
O levantamento da FGV também aponta uma leve queda no Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) do setor, que passou de 79,5% para 79,3%. A utilização de máquinas e equipamentos avançou para 73,9%, enquanto o uso da mão de obra permaneceu estável em 81%.
Perspectiva geral
Embora os dados sinalizem um fôlego moderado no curto prazo, o setor da construção ainda enfrenta restrições estruturais, como o elevado custo do crédito, baixa disponibilidade de mão de obra qualificada e incertezas macroeconômicas. A consolidação da retomada dependerá da continuidade das políticas públicas de estímulo, de um ambiente regulatório estável e da evolução positiva nas condições de financiamento e investimento.
