A engenharia e a arquitetura brasileiras estão passando por uma revolução digital sem precedentes. No centro dessa transformação está o BIM (Building Information Modelling) — não como um simples software, mas como um ecossistema de processos colaborativos que captura, cria e gerencia informações de uma obra ao longo de todo o seu ciclo de vida. O resultado é claro: maior qualidade, mais eficiência e redução de custos.
Assim como ocorreu na transição para o CAD, empresas que não adotarem o BIM tendem a perder competitividade. Hoje, digitalizar processos não é apenas inovação — é sobrevivência no mercado.
A “Virada de Chave” do BIM no Brasil: O Decreto nº 11.888/2024
Com a publicação do Decreto nº 11.888, de 22 de janeiro de 2024, a Estratégia BIM BR ganha força normativa e consolida a digitalização dos projetos públicos no Brasil. O decreto:
- estimula a adoção do BIM em todo o país;
- complementa a Nova Lei de Licitações e Contratos (Lei 14.133/2021);
- esclarece como a Administração Pública deve contratar soluções tecnológicas.
Na prática, o BIM passa a ser obrigatório ou padronizado em licitações e contratos públicos, trazendo regras claras para criação, compartilhamento e gestão das informações de projeto. Para as empresas, adaptar-se deixou de ser opcional — tornou-se estratégico.
Planejamento Rigoroso e Gestão da Informação: Novos Requisitos
Uma das mudanças mais relevantes é a exigência de um planejamento de projeto mais estruturado. Documentos como o Estudo Técnico Preliminar e o Termo de Referência/Projeto Básico passam a exigir:
- definição dos requisitos de informação (OIR, AIR, PIR);
- especificação do que o contratado deve entregar (EIR);
- fluxos de trabalho detalhados;
- definição do Nível de Informação Necessário (NNI);
- implementação de um Ambiente Comum de Dados (CDE) — um repositório digital centralizado que integra e organiza todas as informações.
O modelo data-centric BIM garante que os dados fluam continuamente do planejamento à operação, fazendo o BIM transcender a mera modelagem 3D.
Consultorias BIM e Suporte Especializado
Empresas de consultoria BIM tornam-se peças-chave nessa transição, oferecendo:
- apoio estratégico para definição dos objetivos BIM;
- desenvolvimento do Plano de Execução BIM (PEB);
- estruturação de requisitos e famílias;
- orientação para implantação de um CDE eficaz.
Esse suporte acelera a maturidade digital e reduz riscos de implementação.
Responsabilidades, Riscos e Segurança da Informação
Fundamentado nas normas ISO 19650, o Decreto exige:
- clareza de papéis e responsabilidades (ex.: matriz RACI);
- definição sobre quem entrega e quem recebe cada informação;
- manutenção da responsabilidade legal sobre os dados por parte de quem os produziu;
- um plano de gerenciamento de riscos, abrangendo riscos do projeto e da informação;
- políticas de segurança da informação, com medidas contra acessos não autorizados e perda de dados.
Plataformas de gestão documental com visualizador BIM e controle de issues tornam-se essenciais para um CDE consistente, seguro e acessível.
Interoperabilidade e Formatos Abertos: O Poder do openBIM
Para evitar dependência de software e promover eficiência, o Decreto incentiva o uso de formatos abertos, como o IFC (Industry Foundation Classes). Essa padronização:
- estimula a concorrência;
- aumenta a interoperabilidade;
- amplia a liberdade técnica das organizações.
A chegada do buildingSMART Brasil, alinhada à nova norma ISO 16.739, reforça a adoção do openBIM como caminho mais seguro e sustentável.
Capacitação Profissional: Um Pilar da Nova Era Digital
As licitações passarão a avaliar a competência técnica da equipe na utilização de BIM. Por isso, ganham protagonismo:
- workshops sobre conceitos e aplicações do BIM;
- treinamentos de modelagem, coordenação e gestão;
- consultorias com planejamento estratégico para implantação.
O BIM exige não apenas tecnologia — exige pessoas preparadas.
BIM no Canteiro de Obras: A Digitalização da Execução
O BIM não se limita ao projeto. Ele transforma o canteiro:
- acompanhamento 4D/5D;
- checklists digitais;
- inserção de issues;
- escaneamento em nuvem de pontos;
- substituição de trabalhos topográficos por estações robóticas integradas ao modelo;
- QR Codes, GPS e streaming de modelos para supervisão.
A obra se torna um ambiente de controle, precisão e rastreabilidade.
Conclusão: Competitividade, Inovação e Futuro Digital
O Decreto 11.888 marca uma nova etapa na engenharia brasileira — mais transparente, eficiente e responsável. Ao exigir planejamento rigoroso, interoperabilidade, capacitação e tecnologia, cria um ambiente propício para obras públicas de alta qualidade.
Para as empresas, adotar o BIM não significa apenas utilizar um software, mas trilhar uma jornada de maturidade digital alinhada ao seu planejamento estratégico.
A transformação digital só acontece quando impacta o negócio — e o BIM é o caminho para esse impacto.
Ao investir em consultoria especializada, capacitação e soluções openBIM, sua empresa estará preparada para atender às exigências das novas licitações e, mais do que isso, ocupar a vanguarda da construção digital no Brasil.
O futuro da construção já começou. Agora é a hora de inovar e garantir seu espaço na nova era digital.
