O ecossistema de construtechs brasileiras — startups de tecnologia voltadas para a construção civil — continua em destaque, mas enfrenta um momento de cautela nos investimentos, apontando para uma fase estratégica de consolidação do setor.
Segundo um estudo da Liga Ventures, as construtechs no Brasil captaram R$ 16 milhões em investimentos durante 2025, distribuídos em apenas três transações, contra R$ 68 milhões em dez rodadas no ano anterior. Esse recuo no volume de aportes evidencia que os investidores estão mais seletivos e que o setor está amadurecendo diante de maiores desafios e oportunidades.
Panorama do ecossistema e diversidade de soluções
O levantamento mapeou 267 construtechs ativas no país, que desenvolvem soluções tecnológicas para diferentes etapas da cadeia construtiva, incluindo gestão e controle de obra, cotação e compra de insumos, construção modular e realidade virtual e interatividade.
Cerca de 20% dessas startups foram fundadas entre 2020 e novembro de 2025, o que mostra que novas iniciativas seguem surgindo, apesar do ritmo de investimentos mais lento.
Tecnologia e adoção de inteligência artificial
O relatório também destaca que 29 construtechs já utilizam inteligência artificial (IA) em suas soluções, com aplicações que vão desde automação de projetos arquitetônicos e de engenharia, até gestão inteligente de obras, monitoramento com visão computacional e gêmeos digitais, e orçamentação automática de custos.
Essa adoção crescente de IA reflete a busca por eficiência operacional e maior produtividade, especialmente em um ambiente onde a inovação se torna cada vez mais essencial para resolver desafios antigos do setor.
Maturidade das startups e foco no mercado
A análise de maturidade das construtechs mostra um ecossistema heterogêneo:
- 37% estão em estágio estável,
- 30% são consideradas emergentes,
- 22% são classificadas como nascentes e
- 11% como disruptoras.
Além disso, cerca de 81% das startups têm foco no mercado B2B, atendendo principalmente empresas, construtoras e agentes da cadeia da construção civil que buscam soluções digitais para seus processos.
Consolidação e oportunidades de longo prazo
Para especialistas, o momento atual representa não apenas uma redução nos investimentos, mas também uma etapa de consolidação e refinamento do setor de construtechs. A desaceleração no volume de capital indica que investidores estão focando em startups com modelos de negócio mais robustos e soluções com impacto real, em vez de aportes amplos sem critérios rígidos.
Esse movimento pode resultar em um ecossistema mais sólido e sustentável, onde as construtechs que comprovarem sua capacidade de gerar resultado, eficiência e valor para o setor da construção terão maiores chances de crescimento e liderança no futuro.
Resumo do cenário atual
- Queda nos investimentos em 2025 em comparação com 2024;
- Ecosistema em expansão em número de startups, apesar dos aportes reduzidos;
- Adoção de IA e tecnologias avançadas em soluções construtechs;
- Foco majoritário no mercado B2B e consolidação estratégica.
