A adoção de inteligência artificial (IA) pela construção civil brasileira registrou um crescimento significativo nos últimos anos. Dados do Termômetro Falconi, publicados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), revelam que o uso de ferramentas de IA no setor passou de 15% em 2023 para 38% em 2025, mais que dobrando em apenas dois anos.
Digitalização acelerada impulsionada por IA
A pesquisa indica que a transformação digital no setor vem se consolidando como uma estratégia essencial para enfrentar desafios como a escassez de mão de obra qualificada, a necessidade de redução de custos e a busca por maior produtividade nas obras. Ao lado da IA, metodologias como BIM (Building Information Modeling) foram citadas com forte presença, adotadas por mais da metade das empresas avaliadas no levantamento.
Especialistas em tecnologias aplicadas à construção destacam que a integração entre IA, BIM, Internet das Coisas (IoT) e cloud computing (computação em nuvem) cria um ecossistema tecnológico capaz de atuar em todas as fases dos projetos — desde planejamento e simulação até execução e manutenção.
Aplicações da IA na prática
No planejamento e projeto, algoritmos inteligentes permitem simular cenários complexos — como incidência solar, mobilidade urbana ou impactos ambientais — antes mesmo de a obra começar, antecipando riscos e otimizando decisões.
Durante a execução, a IA integrada com sensores, drones e sistemas de monitoramento cria uma base de dados dinâmica que ajuda a:
- Acompanhar a qualidade de materiais e serviços;
- Monitorar o avanço físico das obras;
- Detectar falhas ou inconsistências com mais rapidez;
- Automatizar tarefas repetitivas e de baixo valor agregado.
Essa combinação tecnológica possibilita que a construção deixe de depender apenas de processos tradicionais e manuais, evoluindo para um modelo orientado por dados e automação inteligente.
Impactos na indústria e no papel profissional
O salto no uso de IA está redefinindo também o papel de profissionais da construção. Tarefas repetitivas ou perigosas — como inspeções de estruturas por meio de robôs autônomos — tendem a ser substituídas por sistemas inteligentes, liberando engenheiros e gestores para atividades de maior valor estratégico.
Mesmo com esse avanço, a maturidade digital ainda é desigual no setor: enquanto grandes construtoras e concessionárias possuem sistemas integrados e estratégias robustas de IA, muitas empresas de médio e pequeno porte ainda transitam entre o uso de soluções básicas e processos manuais.
Tendências para os próximos anos
O aumento da adoção de IA na construção civil em 2025 reflete uma tendência global: as empresas buscam ganhos de eficiência, redução de retrabalho, segurança e maior precisão nos cronogramas e orçamentos. À medida que o setor enfrenta pressões como escassez de mão de obra qualificada e competição por inovação, a IA deixa de ser apenas uma tecnologia opcional para se tornar um elemento central na competitividade das organizações.
Além disso, espera-se que a integração entre IA e outras tecnologias — como monitoramento em tempo real, gêmeos digitais e robótica — continue a transformar o setor nos próximos anos, promovendo uma construção mais inteligente, sustentável e orientada por dados.
