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Home»Em alta»Construção industrializada ganha força e pode movimentar bilhões até 2029
Em alta

Construção industrializada ganha força e pode movimentar bilhões até 2029

09/12/2025Nenhum comentário4 Mins Read
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Enquanto os investimentos em infraestrutura prometem cifras expressivas, a experiência de pioneiros mostra que o caminho mais rápido para a eficiência na construção passa pela precisão milimétrica e pelo controle digital de processos.

Apesar do otimismo com novos aportes, a realidade do setor revela um paradoxo: segundo a recente edição da IBGE, até 40% dos materiais utilizados em obras são desperdiçados por falhas de execução — um desperdício que o país já não pode mais sustentar.

Desafios estruturais e urgência de mudança

A carência de profissionais qualificados é outro ponto crítico. Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que 94% das construtoras relatam dificuldades para contratar mão de obra especializada, sendo que 60% dos trabalhadores nunca passaram por cursos formais de qualificação.

O problema dos resíduos também persiste: um levantamento da Abrelpe apontava que, em 2021, o Brasil gerou 48 milhões de toneladas de resíduos da construção civil — com apenas uma fração reciclada. Essa combinação de ineficiência material e deficiência de mão de obra técnica exige uma reavaliação profunda dos métodos de construção no país.

Da telemetria passiva ao controle ativo — um salto de paradigma

Um dos maiores equívocos no setor é confundir monitoramento simples (telemetria de consumo, por exemplo) com controle ativo de obra, que utiliza modelagem digital 3D e comando de máquinas em tempo real.

O modelo de “design-down” — isto é, converter diretamente o modelo digital em execução no terreno — permite precisão de poucos milímetros na pavimentação, o que pode reduzir o desperdício de concreto em até 15% por obra. Em projetos de grande porte, isso representa uma economia expressiva, maior produtividade, melhor acabamento e mais segurança estrutural.

Resultados concretos: casos de sucesso comprovados

A Construtora Tripoloni, pioneira em tecnologia desde 2013, documenta resultados claros da adoção dessas técnicas:

  • Redução de erros humanos;
  • Maior precisão na execução;
  • Gestão digital completa do canteiro;
  • Eliminação de retrabalho;
  • Eficiência operacional elevada.

Esses benefícios foram comprovados ao longo de mais de 500 km de rodovias federais, entre elas os trechos da BR-222/MA e da PRC-280/PR, além de intervenções em aeroportos na Bolívia — reforçando que a tecnologia e a industrialização da obra são viáveis e eficazes para obras de grande escala.

Obstáculos que ainda travam a adoção em massa

Apesar dos resultados, a adoção permanece limitada. Mais de 60% das empresas de construção relatam dificuldade para contratar mão de obra qualificada — um problema que afeta especialmente o segmento de infraestrutura.

Há também uma defasagem tecnológica no setor: embora o uso de ferramentas digitais tenha crescido nos últimos anos, a aplicação em obras de infraestrutura ainda é modesta em comparação com o da construção de edifícios. O principal entrave é cultural — a mudança exige qualificação, adaptação de processos e visão de longo prazo.

Tecnologia cada vez mais acessível e escala crescente

A boa notícia é que a democratização da tecnologia já começou. Com o crescimento de investimentos em softwares de gerenciamento, automação e controle 3D, o setor sinaliza uma mudança estrutural profunda.

Empresas como a D’Itália Empreendimentos mostram que alta produtividade, precisão milimétrica e gerenciamento remoto já podem ser alcançados em projetos de menor porte — e não apenas em grandes obras.

O futuro da infraestrutura no Brasil depende da velocidade da adoção

Dez anos após as primeiras experiências exitosas de controle digital e automação, o Brasil encara uma encruzilhada:

  • Se as novas obras forem executadas com tecnologia e precisão, o país poderá finalmente transformar investimentos públicos e privados em infraestrutura sólida, eficiente e duradoura.
  • Se prevalecer o método tradicional, continuará repetindo ciclos de desperdício, retrabalho e baixa produtividade — um erro que o setor talvez não possa mais sustentar.

O desafio já está lançado: tornar a precisão, a tecnologia e a industrialização o padrão construtivo da nova geração de obras no Brasil.

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