Um estudo recém-lançado pela Liga Ventures revela que as startups de tecnologia para o setor da construção civil, conhecidas como construtechs, já captaram R$ 16 milhões em investimentos em 2025, distribuídos em três transações, segundo o levantamento que mapeou o ecossistema dessas empresas no Brasil.
Embora esse valor seja menor do que os R$ 68 milhões registrados em 2024, distribuídos em dez transações, ele mostra que o setor continua atraindo capital e mostrando relevância na modernização da construção nacional.
Ecossistema mapeado: 267 construtechs ativas
O estudo aponta que existem 267 startups ativas no Brasil focadas em transformar a construção civil por meio de tecnologia, oferecendo soluções e produtos que impactam diretamente a cadeia de valor do setor.
Cerca de 20% dessas construtechs foram fundadas entre 2020 e novembro de 2025, evidenciando o crescimento recente e contínuo do segmento.
As empresas foram classificadas em 24 categorias de atuação, entre as quais se destacam:
- Cotação e compra de insumos (16%);
- Construção modular (12%);
- Gestão e controle de obra (8%);
- Realidade virtual e interatividade (8%);
- Conteúdo e educação (6%).
Adoção de inteligência artificial e foco em B2B
O relatório também mostra que 29 construtechs utilizam inteligência artificial (IA) em suas soluções, com aplicações variadas, como:
- Automação de projetos arquitetônicos e de engenharia;
- Gestão inteligente de canteiros e obras;
- Monitoramento com visão computacional e gêmeos digitais;
- Previsão, orçamentação e controle automático de custos;
- Atendimento ao cliente e pós-venda;
- Segurança e manutenção preditiva de ativos e equipamentos.
Além disso, o estudo indica que 81% das startups atuam no mercado B2B, reforçando a orientação dessas soluções para empresas que buscam produtividade, eficiência e digitalização de processos.
Distribuição geográfica das startups
A pesquisa revelou ainda a distribuição regional das construtechs no Brasil:
- São Paulo lidera com 42% das empresas, seguido por
- Minas Gerais (12%),
- Santa Catarina (12%),
- Paraná (10%),
- Rio de Janeiro (5%),
- Rio Grande do Sul (4%),
- Distrito Federal (3%),
- Pernambuco (2%) e
- Goiás e Bahia (1% cada).
Maturidade das construtechs
A análise de maturidade das startups mapeadas mostrou que:
- 37% são empresas estáveis,
- 30% estão em fase emergente,
- 22% são nascentes, e
- 11% são consideradas disruptoras.
Entre as tecnologias mais aplicadas pelas construtechs destacam-se:
- Marketplace (18%);
- Dashboard (16%);
- Data Analytics (16%);
- API (14%);
- Cloud Computing (12%).
Perspectivas de mercado e desafios
“O atual estado das construtechs mostra um setor ainda cauteloso em investimentos e na adoção de IA, mas longe de estar parado”, afirma Daniel Grossi, cofundador da Liga Ventures.
Segundo ele, a modernização da construção civil é inevitável, marcada por industrialização, digitalização e novas tecnologias de produtividade. O ritmo relativamente lento de inovação cria, ao mesmo tempo, oportunidades para quem deseja liderar, sobretudo para soluções que atacam **pontos críticos como eficiência de obra, previsibilidade de custos e redução de desperdício”.
Esse estudo foi realizado com dados da Startup Scanner, plataforma da Liga Ventures que monitora dados de startups no Brasil e na América Latina, facilitando a compreensão das tendências de mercado e a identificação de oportunidades em tecnologia e inovação aplicadas à construção civil.
