A COP30 apresentou um dos documentos mais relevantes dos últimos anos para a transformação do setor da construção: o Action Paper sobre Construção Sustentável, um roteiro global que orienta governos, empresas e instituições a acelerar a transição do ambiente construído rumo à descarbonização, à eficiência energética e à resiliência climática.
Segundo dados apresentados no encontro, o ambiente construído é responsável por aproximadamente 34% das emissões mundiais de CO₂ e por mais de 30% do consumo global de energia — números que evidenciam o impacto direto do setor nas mudanças climáticas e a urgência de ações coordenadas.
Um documento construído com base global
O roteiro foi desenvolvido ao longo de mais de um ano, a partir de consultas internacionais que reuniram:
- 12 especialistas globais em construção, clima, arquitetura, engenharia e políticas públicas;
- 797 contribuições técnicas de profissionais de 36 países;
- Um workshop presencial com 35 líderes dos setores de construção, finanças, seguros e sociedade civil.
Essa pluralidade de participantes permitiu que o documento refletisse as necessidades, desafios e realidades de diferentes mercados — especialmente das economias emergentes, onde está concentrada grande parte da expansão urbana prevista para os próximos anos.
Os seis eixos estratégicos do roteiro
O documento estabelece seis eixos fundamentais para orientar a transição global para uma construção sustentável:
1. Definição comum de construção sustentável
O setor ainda sofre com falta de consenso sobre critérios, indicadores e métricas. O roteiro propõe alinhar conceitos para unificar políticas públicas, certificações e normas técnicas.
2. Colaboração entre todos os elos da cadeia
Da formulação de políticas ao uso final dos edifícios, o sucesso depende de uma integração real entre governo, projetistas, construtoras, fornecedores, operadores e usuários.
3. Integração entre mitigação, adaptação e resiliência
Com eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, a construção sustentável deve ir além da eficiência energética, incorporando resiliência climática como pilar essencial dos projetos.
4. Estratégias específicas para economias emergentes
Até 2050, o mundo terá 2,5 bilhões de novos habitantes urbanos, principalmente em países emergentes. As soluções precisam considerar desigualdades, infraestrutura limitada e realidades regionais.
5. Provar a viabilidade econômica da construção sustentável
O setor enfrenta a percepção equivocada de que a construção sustentável é mais cara. O documento enfatiza a importância de dados financeiros, análises de ciclo de vida e estudos comprovando o retorno econômico.
6. Transformar a percepção social do setor
Construção sustentável deve ser vista como sinônimo de inovação, conforto, qualidade e competitividade, e não apenas como exigência regulatória.
Ações prioritárias para acelerar a transição
Com base nesses eixos, o roteiro lista 13 ações prioritárias, entre elas:
- Inclusão de critérios de resiliência obrigatória em códigos de obras;
- Diretrizes claras para políticas públicas nacionais;
- Incentivos financeiros para tecnologias de baixo carbono;
- Desenvolvimento de materiais e sistemas construtivos sustentáveis;
- Estratégias específicas para lidar com riscos climáticos em regiões vulneráveis;
- Fortalecimento de certificações e indicadores padronizados;
- Criação de arcabouços jurídicos para investimentos verdes.
Essas ações têm como objetivo alinhar o setor às metas climáticas globais, reduzir emissões, aumentar a segurança das cidades e atrair investimentos.
Impactos diretos para o mercado brasileiro
O Brasil, como líder regional e país com forte expansão urbana, tem papel central na implementação do roteiro. A adoção de sistemas industrializados, como o Light Steel Frame (LSF), a ampliação das práticas de construção a seco, o uso de materiais sustentáveis e a digitalização dos processos (como BIM) são exemplos claros de caminhos alinhados às recomendações da COP30.
Essas tecnologias:
- reduzem significativamente resíduos no canteiro,
- diminuem emissões no ciclo de vida,
- aumentam a eficiência operacional,
- evi tam retrabalhos e
- ajudam a cumprir metas de descarbonização.
Para empresas que já trabalham com sistemas construtivos inovadores — como a OTTEG Incorporadora e a Conecta Steel — o roteiro reforça que o mercado está caminhando exatamente na direção que essas empresas vêm defendendo: construção industrializada, eficiente, sustentável e de alta performance.
Conclusão
O roteiro apresentado na COP30 estabelece uma base sólida para transformar um dos setores mais poluentes do mundo em um agente estratégico no combate à crise climática. Ao alinhar conceitos, integrar a cadeia produtiva, ampliar investimentos e comprovar a viabilidade econômica, o documento cria um marco global para que governos e empresas possam acelerar a inovação e adotar práticas sustentáveis de forma estruturada.
A transição já começou — e as empresas que se adaptarem agora estarão à frente na construção do futuro sustentável das cidades.
