O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou aumento em junho, impulsionado principalmente pelos reajustes salariais nos canteiros de obras. De acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o indicador acumulou uma alta de 7,19% nos últimos 12 meses, refletindo a pressão exercida pela mão de obra no período.

O Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) voltou a subir em junho, evidenciando que a mão de obra é, atualmente, o principal fator de pressão inflacionária no setor. A análise é da economista Ana Maria Castelo, da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), que aponta uma combinação entre desaceleração da atividade econômica e redução no ritmo de contratações como os principais vetores por trás do resultado.
Apesar do cenário de menor dinamismo, a expectativa futura segue otimista. Segundo a pesquisadora, o mercado de trabalho permanece aquecido, sustentando a perspectiva de continuidade na alta dos custos trabalhistas. “Todas as categorias do INCC apresentaram variações positivas em relação a maio, o que indica que a inflação do setor tende a permanecer acima da média geral da economia”, avalia Ana Maria.
A economista destaca ainda que o aumento registrado no mês pode estar parcialmente associado a reajustes salariais concentrados em datas-base regionais, especialmente em praças com alta densidade de obras. Entretanto, o cenário de escassez de mão de obra qualificada segue como fator estrutural, pressionando o índice de forma contínua.
“Mesmo que o salto de junho tenha caráter pontual, a tendência de elevação nos custos da construção civil permanece, impulsionada pela dificuldade de contratação no setor”, acrescenta.
Índice já acumula alta de 7,19% em 12 meses
Com o resultado de junho, o INCC-M acumula uma alta de 3,46% no primeiro semestre de 2025 e 7,19% em 12 meses, confirmando uma trajetória de inflação persistente nos custos de construção.
De acordo com o boletim divulgado nesta quarta-feira (24) pela FGV, a maior parte das capitais pesquisadas apresentou aceleração nos preços, com exceção de Salvador e Rio de Janeiro, que registraram relativa estabilidade no período.
Esse cenário representa um desafio crescente para construtoras e incorporadoras, que precisam equilibrar pressões de custo, margens operacionais cada vez mais comprimidas e dificuldades na gestão de equipes. Ao mesmo tempo, a expectativa de retomada na demanda para os próximos meses mantém o setor em ritmo de atividade elevado — mas também sujeito a tensões estruturais.
