O SindusCon-SP anunciou, em 23 de outubro, a criação do Comitê de Construção Industrializada (CCI) — uma iniciativa estratégica que reúne empresas especializadas em sistemas de construção off-site, com o objetivo de impulsionar um modelo mais produtivo, previsível e moderno para a construção civil nacional.
Objetivo da iniciativa
O comitê foi estruturado para promover quatro grandes frentes de atuação:
- Ampliação do uso de sistemas de construção industrializada (pré-fabricação, modulação e montagem em obra) visando antecipar prazos e aumentar desempenho.
- Incremento da produtividade, da qualidade e da competitividade no setor, reduzindo dependência de mão de obra tradicional e aumentando previsibilidade de entregas.
- Consolidação de estudos, pesquisas e mapeamento de mercado para gerar dados consistentes sobre faturamento, geração de empregos e participação desse segmento no setor da construção.
- Estabelecimento de grupos de trabalho específicos para temas como regulação e normatização, financiamento e capital de giro industrializado, cadeia de suprimentos e logística, e comunicação e educação de mercado.
Importância técnica do off-site para o Brasil
A adoção de sistemas de construção industrializada — ou construção modular / pré-fabricada — representa um avanço técnico relevante no contexto brasileiro, por alguns motivos:
- A montagem em fábricas ou com módulos pré-fabricados permite reduzir o cronograma da obra em até um terço em comparação aos métodos convencionais.
- Melhora a previsibilidade de custos e prazos, dada a maior repetibilidade e controle de processos industriais, bem como menor interferência de variáveis de obra.
- Reduz a exposição a riscos típicos do canteiro, como falta de mão de obra especializada, clima, logística difícil, atrasos de material ou retrabalho — elementos críticos no cenário atual da construção brasileira.
- Favorece a integração de conceitos de sustentabilidade, já que processos industriais tendem a gerar menos desperdício, maior precisão no uso de insumos e podem incorporar soluções padronizadas de eficiência energética, modularidade e manutenibilidade.
Principais desafios técnicos
Embora promissor, o uso mais amplo da construção industrializada no Brasil enfrenta obstáculos técnicos e estruturais, tais como:
- A uniformização de normas técnicas: a diversidade de Códigos de Obras municipais e falta de padronização nacional dificultam a plena adoção de sistemas modulares pré-fabricados.
- A escala de produção: sem volumes expressivos de módulos ou componentes, os ganhos de economia de escala ficam limitados.
- Logística e cadeia de suprimentos: transporte, montagem e integração de módulos demandam planejamento logístico refinado e coordenação entre fábrica e obra.
- Linhas de financiamento apropriadas: modelos construtivos inovadores frequentemente não se encaixam nos formatos tradicionais de crédito ou seguro, exigindo novos produtos financeiros.
- Qualificação da mão de obra: mesmo com industrialização, é necessária mão de obra especializada para instalação, montagem e controle de qualidade nos módulos e interfaces.
Impacto esperado e agenda de atuação
O CCI reúne inicialmente empresas como SteelCorp, Tecverde, Alea e DOX, com previsão de ampliação da rede ao longo de 2026.
Sob coordenação de Daniel Gispert (SteelCorp) e Stephan Constantino (Tecverde) como adjunto, o comitê assume também o papel de suporte institucional junto a órgãos públicos, entidades normatizadoras e setor financeiro.
A agenda técnica contempla:
- Realização de levantamentos e pesquisas para gerar dados completos sobre o mercado de construção industrializada no Brasil.
- Promoção de eventos, benchmarking e disseminação de boas-práticas entre empresas do segmento.
- Estabelecimento de metas operacionais junto à diretoria do SindusCon-SP, bem como suporte técnico às empresas participantes.
- Ações específicas para aplicação em projetos de habitação social, hospitais, data centres, modulação de edifícios e projetos híbridos, onde o ganho de industrialização pode trazer maior impacto social e econômico.
Relevância para a sua atuação no segmento LSF / aço leve
Para marcas, empresas e projetos voltados à construção em aço leve (LSF) ou modulação mecanizada — como o escopo de atuação da sua empresa — a formação de um comitê como o CCI representa uma sinalização clara de que o setor está se organizando para sustentar modelos mais industrializados.
Isso significa oportunidades para:
- Difundir seu modelo construtivo de LSF como componente de cadeia da industrialização.
- Alavancar projetos que façam parte dos grupos de trabalho (normatização, logística, financiamento).
- Posicionar sua marca como agente inovador dentro desse movimento, reforçando atributos como velocidade, qualidade, produtividade e sustentabilidade.
- Antecipar requisitos de qualificação, logística e compatibilização de processos que serão exigidos por esse novo ecossistema industrializado.
Para as suas estratégias editoriais e de marketing, esses pontos podem ser traduzidos em conteúdos de valor para o seu público (arquitetos, engenheiros, profissionais da LSF) — destacando como “industrialização” e “construção off-site” são conceitos que se tornarão padrão no Brasil.
