Apesar dos juros altos, o setor imobiliário mantém um ritmo aquecido, impulsionado significativamente pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgou dados animadores para o mercado imobiliário nacional no primeiro trimestre de 2025. Mesmo com a persistência de juros elevados, o setor demonstrou resiliência e manteve uma trajetória de crescimento, impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida:
- Vendas em Alta: Foram comercializadas 102.485 unidades residenciais, um aumento significativo de 15,7% em relação ao mesmo período de 2024.
- Lançamentos Crescentes: O mercado viu o lançamento de 84.924 novas unidades, representando um avanço de 15,1% na comparação anual.
O programa Minha Casa, Minha Vida teve um papel crucial nesse desempenho, sendo responsável por 44.734 unidades lançadas no período, o que representa mais da metade do total. A CBIC ressalta a notável resiliência do setor diante do cenário de crédito mais caro.
Nos 12 meses encerrados em março de 2025, as vendas acumularam 418.136 unidades, um salto de 22,5% em relação ao período anterior. Interessantemente, a oferta final de imóveis registrou uma queda de 4,6%, totalizando 287.980 unidades disponíveis, indicando uma maior absorção por parte do mercado consumidor.
“Mesmo em um cenário de crédito caro, o brasileiro segue acreditando no investimento em moradia”, declarou Renato Correia, presidente da CBIC, evidenciando a confiança do consumidor no setor imobiliário.
Alta concentração no Norte, Nordeste e São Paulo
As regiões onde o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida tem maior alcance, como o Norte e o Nordeste, lideraram o crescimento do setor no primeiro trimestre de 2025. No Sudeste, o estado de São Paulo apresentou o desempenho mais notável. Um indicador positivo é a redução do tempo médio de escoamento das unidades do Minha Casa, Minha Vida para 6,5 meses, um período inferior à média geral do mercado.
Expectativas Otimistas para o Restante de 2025, Apesar dos Juros Altos
A CBIC mantém uma projeção de aquecimento contínuo para o mercado imobiliário ao longo de 2025. A entrada em operação da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida em maio é vista como um fator crucial para expandir o alcance do programa a um número ainda maior de famílias.
Os financiamentos com recursos do FGTS e da poupança também devem se manter como pilares importantes para o crescimento do setor. A expansão do programa habitacional é parte da estratégia do governo federal para estimular a economia nacional.
No entanto, o cenário macroeconômico apresenta um desafio: o Banco Central tem adotado uma política de juros elevados com o objetivo de controlar a inflação. Essa medida, embora necessária para conter a alta dos preços, encarece o crédito, o que pode levar a uma desaceleração do consumo e da produção, potencialmente moderando o ritmo de crescimento do setor imobiliário.
O levantamento que embasa essas informações é parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais, uma análise elaborada pela CBIC em colaboração com a Brain Inteligência Estratégica e o Sesi (Serviço Social da Indústria).
